assim... meio Claes Oldenburg.
25 novembro 2008
Felinos
Funcionou! Faz quanto tempo? Um mês? A histeria do Dexter está sanada. Agora ele só fala quando necessário. A Mini é muito sábia. Ensinou a ele filosofia confuciana. Na porrada. A bicha não deixa o bicho em paz. Corre atrás do coitado o dia inteiro, e é completamente despirocada. Claro, é fêmea. Quis dizer louca, ela é muito louca. Já pulou da varanda e tudo mais. O menino do andar de baixo resgatou. Dei-lhe bombons para agradecer. Uma gracinha.
Agora tá aqui, dormindo como um anjinho com o queixo apoiado no violão deitado no sofá. Galega azeda, disse a Tatá hoje. Ela tá doida pra conhecer a galega azeda.
E o Dexter engordou. Já disse que ele é uma sanfoninha, assim como a mamãe? Ele tá muito gostosão de apertar, e bastante pacífico. Aprendeu a apreciar momentos de tranquilidade. Responsabilidade pelos mais novos e exemplos a dar nos força à sobriedade. A meia-idade vem e nos ensina coisas. Qual a equivalência de idade entre gatos e humanos? Sei que de cachorro é sete pra um. O Dex tem sete. Se fosse cachorro teria 49. Está me parecendo ótimo. Deve ser a genética; a tia Ágata tá com 14, uma senhorinha, e ainda não tem um fio branco. Enxutérrima. E se você jogar um cordão pra ela, ela ainda pira como uma gatinha bebê. Será jovem ou gagá?
Ah, sim. E meu condomínio foi reajustado de 150 reáu pra 236. E ainda tem taxa extra de 50 pelos próximos meses pra cobrir despesas em aberto porque o último síndico embolsou a grana do prédio inteiro. Sensacional.
________________________
Update: o Dexter (e a Panda) tem 41 anos humanos, de acordo com isto aqui, e 54, de acordo com isso. A Ágata, 69 ou 75. Quanta incoerência! A Mini ainda nem está nas tabelas. Um dia o Eduardo a chamou de Esquilo do Alaska, eu quase me mijei de tanto rir.
Agora tá aqui, dormindo como um anjinho com o queixo apoiado no violão deitado no sofá. Galega azeda, disse a Tatá hoje. Ela tá doida pra conhecer a galega azeda.
E o Dexter engordou. Já disse que ele é uma sanfoninha, assim como a mamãe? Ele tá muito gostosão de apertar, e bastante pacífico. Aprendeu a apreciar momentos de tranquilidade. Responsabilidade pelos mais novos e exemplos a dar nos força à sobriedade. A meia-idade vem e nos ensina coisas. Qual a equivalência de idade entre gatos e humanos? Sei que de cachorro é sete pra um. O Dex tem sete. Se fosse cachorro teria 49. Está me parecendo ótimo. Deve ser a genética; a tia Ágata tá com 14, uma senhorinha, e ainda não tem um fio branco. Enxutérrima. E se você jogar um cordão pra ela, ela ainda pira como uma gatinha bebê. Será jovem ou gagá?
Ah, sim. E meu condomínio foi reajustado de 150 reáu pra 236. E ainda tem taxa extra de 50 pelos próximos meses pra cobrir despesas em aberto porque o último síndico embolsou a grana do prédio inteiro. Sensacional.
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Update: o Dexter (e a Panda) tem 41 anos humanos, de acordo com isto aqui, e 54, de acordo com isso. A Ágata, 69 ou 75. Quanta incoerência! A Mini ainda nem está nas tabelas. Um dia o Eduardo a chamou de Esquilo do Alaska, eu quase me mijei de tanto rir.
23 novembro 2008
Palhaço triste
Aprendi uma do Simão e Garfunkel cuja letra é:
Slow down, you're moving too fast
You've got to make the morning last
Just kicking down the cobblestones
Looking for fun and feeling groovy
Hello lamppost, what you're knowing
I've come to watch your flowers growing
Ain't you got no rhymes for me
Doo-doo-doo-doo-doo
Feeling groovy
Got no deeds to do, no promises to keep
I'm dappled and drowsy and ready to sleep
When the morning time drops all its petals on me
Life I love you
All is groovy
E não tem nada a ver com minha vida agora. Tocá-la é um paradoxo. Sinto-me idiota. Tem tanta coisa acontecendo aqui dentro. Não vou contar nada. Nadinha.
Slow down, you're moving too fast
You've got to make the morning last
Just kicking down the cobblestones
Looking for fun and feeling groovy
Hello lamppost, what you're knowing
I've come to watch your flowers growing
Ain't you got no rhymes for me
Doo-doo-doo-doo-doo
Feeling groovy
Got no deeds to do, no promises to keep
I'm dappled and drowsy and ready to sleep
When the morning time drops all its petals on me
Life I love you
All is groovy
E não tem nada a ver com minha vida agora. Tocá-la é um paradoxo. Sinto-me idiota. Tem tanta coisa acontecendo aqui dentro. Não vou contar nada. Nadinha.
Cacofonix
Estou aprendendo a tocar violão e eu sou PÉSSIMA. Mas não tô nem aí. É divertido. A ponta dos dedos ardem, a tendinite dá os ares de sua graça e meu gato me olha com reprovação. Com certeza meus vizinhos me odeiam muito. E o repertório é ultra limitado, porque evito as músicas que contêm o fa e o si; pestanas, quem sabe, daqui a 30 anos. Ou com uma prótese alongadora de dedos. E aí eu ouço uma música que amo e fico toda empolgada e vou ver a tablatura e as notas são algo como Dsus7/F# e eu sei lá que PORRA é essa. Aí eu vou no essencial http://www.all-guitar-chords.com/ e vejo que precisaria de 8 dedos em cada mão pra conseguir fazer o diabo da nota. Aí eu não consigo mudar do sol pro do no ritmo da música. Aí eu não sei fazer dedilhados essenciais pra músicas relativamente fáceis e vou no acorde mesmo, e tudo fica que nem Legião Urbana. E eu sou muito desfinada.
Mas é tão boommm!!! Adoro!! Eu sou ruim mas sou feliz! Sorry, neighbors.
E agorinha tem uma mulher em baixo do prédio gritando e xingando alguém no telefone. Vixe.
Mas é tão boommm!!! Adoro!! Eu sou ruim mas sou feliz! Sorry, neighbors.
E agorinha tem uma mulher em baixo do prédio gritando e xingando alguém no telefone. Vixe.
04 novembro 2008
SAMBA


Lançamento da revista Samba, parida pelos meus irmãos Gabriel Góes, Lucas Gehre e Gabriel Mesquita, com a participação de um monte de outros artistas de quadrinhos super bacanas e talentosos. Vi a bicha e posso afirmar que ficou boa - muito boa. Mesmo. Não é só porque é da minha família, não. Tô super orgulhosa e feliz.
Sabadão às 5 na Kingdom Comics, no Conic. Apareçam!
Aqui o link
25 outubro 2008
24 outubro 2008
19 outubro 2008
18 outubro 2008
Sublime
17 outubro 2008
The Gayest

The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars do Bowie foi eleito o disco mais gay de todos os tempos.
* Aplausos!!!* Adorei!
O Boy George disse, "At a time when social and sexual taboos were just starting to break down, Bowie as Ziggy created a world where the possibilities were limitless. You could be whatever you wanted to be.”
Uma homenagem:
Sensacional!!!
O ranking dos 100 discos mais gays de acordo com a Out.
The Real Thing
Pronto!! A terceira tentativa de Consuelo deu certo. O nome dela é Frida Leona. Ela é muito, mas muito mimiu. Foi paixão à primeira vista, ela na jaula toda sujinha e arrupiada e com uma faixa cor-de-rosa de topline ao longo do dorso para espantar as pulgas saltitantes ao redor. Ela é absolutamente l-i-n-d-a. Depois do banho, virou bolinha de algodão.
Ela adora brincar com a minha lapiseira, e dá umas mordidinhas coceguentas. Sei que não pode deixar porque acostuma, mas é irresistível!
O Dexter ficou muito enciumado. No primeiro dia, rosnava. Fiquei preocupada porque ele não queria comer, mas hoje de manhã dei uma comidinha especial e ele não resistiu, bom de garfo que é. Voltou a comer normalmente, mas continua não achando a idéia da mimiu muito legal. Já expliquei que ele vai continuar sendo o rei da casa, que ela veio pra fazer companhia a ele, que eu continuo o amando, etc, mas ele ainda não entendeu. Agora tá rosnando menos e tenho certeza de que daqui a pouco eles estarão numa boa.
Ainda não tenho fotas da Frida. Minha objetiva deu pau, agora só tou com a zoom, e a câmera do meu celular é uma bosta. Mas prometo postar fotos em breve. Inclusive porque é muito importante tirar fotas enquanto ela é deste tamaninho, que é tão bonitinho!!
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Update 3am: Eles já estão comendo do mesmo pratinho ao mesmo tempo.
Ela adora brincar com a minha lapiseira, e dá umas mordidinhas coceguentas. Sei que não pode deixar porque acostuma, mas é irresistível!
O Dexter ficou muito enciumado. No primeiro dia, rosnava. Fiquei preocupada porque ele não queria comer, mas hoje de manhã dei uma comidinha especial e ele não resistiu, bom de garfo que é. Voltou a comer normalmente, mas continua não achando a idéia da mimiu muito legal. Já expliquei que ele vai continuar sendo o rei da casa, que ela veio pra fazer companhia a ele, que eu continuo o amando, etc, mas ele ainda não entendeu. Agora tá rosnando menos e tenho certeza de que daqui a pouco eles estarão numa boa.
Ainda não tenho fotas da Frida. Minha objetiva deu pau, agora só tou com a zoom, e a câmera do meu celular é uma bosta. Mas prometo postar fotos em breve. Inclusive porque é muito importante tirar fotas enquanto ela é deste tamaninho, que é tão bonitinho!!
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Update 3am: Eles já estão comendo do mesmo pratinho ao mesmo tempo.
13 outubro 2008
It's evolution, baby
antiga e tosca montagem minha em cima de foto do magnífico Lewis HineO mundo como o conhecemos está ruindo.
O modelo imperfeito de capitalismo sob o qual estamos tá esfarelando. O povo comprou demais, deveu demais e agora estamos aí: bancos quebrando, produção e consumo despencando. Ontem li um artigo apocalíptico na The Economist, dizendo como tá todo mundo fodido. Os EUA estão quebrando, aprovaram a porra do pacotão de 700 bi que o povo vai pagar, muito provavelmente sem retorno, pra equilibrar as contas das instituições financeiras, e mesmo assim o FMI tá prevendo um crescimento escandalosamente pequeno pro país, e "o mais perigoso choque" desde a recessão de 1930. Mesma coisa no Reino Unido. Tavam esperando que a Alemanha segurasse as pontas da economia da UE com sua estabilidade, mas o povo alemão já começou a comprar menos. Bancos Centrais do mundo inteiro começaram a baixar juros, na esperança de manter o crédito rolando. Esse sistema não funciona sem crédito.
E o Brasil? Bem, o Brasil tem milhões de nozinhos atados com as grandes economias dos países ricos. A gente pode não ser atingido muito forte, mas um tapinha de luva vai rolar. A exportação vai cair. O grande lance agora é fazer negócios com a China, que até agora não se abalou com toda essa zona.
Estamos em um momento muito interessante da história do mundo. É muito empolgante. Tô doida pra ver o que vai acontecer.
11 outubro 2008
Born in the 70's
The Fruit Bats are my latest passion.
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This whole Consuelo story has left me kind of feeling crappy.
Hoje fui atrás de outra Consuelo. Achei uma já com 5 meses, chamada Xuxu. Simpatizei imediatamente, era uma fofa, super meiga. Bem feinha, do jeito que eu gosto. Quis muito. Se eu não levasse, quem iria? Ninguém quer adotar gato já crescidinho. Todos querem bolinhas de pelo saltitantes, bebezinhos fofos. Saí pra resolver umas coisas, e voltei pra preencher a papelada de adoção. Foi aí que o veterinário me deu a notícia de que a Xuxu tem AIDS felina. Ele me explicou como o vírus não havia se manifestado, e que há a chance de nunca acontecer, e que se o Dexter estivesse vacinado direitinho não teria problema. Mas por outro lado, o vírus poderia sim se manifestar e aí eu teria que levar ela de volta pra eles cuidarem. Pra sempre.
Dilema. Queria muito dar à Xuxu um lar e carinho e comidinha e caminha quentinha. Especialmente agora que, além dela ser grande, ainda está dodói. Aí pensei no Dexter. Dexter já ficou sem irmã uma vez. Não pode ficar de novo. Seria cruel deixar ele passar por isso de novo. Mas ainda não resolvi o que vou fazer. Me parte o coração pensar na Xuxu morando em uma gaiola, apesar de muito bem cuidada. E eu acho que ela e o Dexter iam se dar muito bem, eles têm comportamentos bem parecidos.
Terei que tomar uma decisão amanhã.
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This whole Consuelo story has left me kind of feeling crappy.
Hoje fui atrás de outra Consuelo. Achei uma já com 5 meses, chamada Xuxu. Simpatizei imediatamente, era uma fofa, super meiga. Bem feinha, do jeito que eu gosto. Quis muito. Se eu não levasse, quem iria? Ninguém quer adotar gato já crescidinho. Todos querem bolinhas de pelo saltitantes, bebezinhos fofos. Saí pra resolver umas coisas, e voltei pra preencher a papelada de adoção. Foi aí que o veterinário me deu a notícia de que a Xuxu tem AIDS felina. Ele me explicou como o vírus não havia se manifestado, e que há a chance de nunca acontecer, e que se o Dexter estivesse vacinado direitinho não teria problema. Mas por outro lado, o vírus poderia sim se manifestar e aí eu teria que levar ela de volta pra eles cuidarem. Pra sempre.
Dilema. Queria muito dar à Xuxu um lar e carinho e comidinha e caminha quentinha. Especialmente agora que, além dela ser grande, ainda está dodói. Aí pensei no Dexter. Dexter já ficou sem irmã uma vez. Não pode ficar de novo. Seria cruel deixar ele passar por isso de novo. Mas ainda não resolvi o que vou fazer. Me parte o coração pensar na Xuxu morando em uma gaiola, apesar de muito bem cuidada. E eu acho que ela e o Dexter iam se dar muito bem, eles têm comportamentos bem parecidos.
Terei que tomar uma decisão amanhã.
10 outubro 2008
'Wheat pushes its shoots up through the winter frost,
Only to be stepped on again and again. The trampled wheat sends strong roots into the earth, endures frost, wind and snow, grows straight and tall... and one day bears fruit.'
Those are the very first words in Barefoot Gen, which I'm re-reading for the 3rd time. I think it synthesizes the spirit of the story pretty well. A perfect thesis statement in a manga cartoon. It tells the story of a boy named Gen Nakaoka and his family in Japan before, during and after the A-bomb. The man who wrote it, Keiji Nakazawa, actually went through a lot of this shit, and he put it all down on paper and had it published. I remember reading this and crying my eyes out. Not that I like reading and crying; I just think it is one of the best stories I've ever read. What I found most heart wrenching in it was the way people would turn against each other even though they were all in the same state of misery. And I still find it hard to believe that that is not perfectly natural human behavior.
Once I was at this palm reader and she told me that although I did not believe it, there is actually some good in people, and I was bound to see that. That was in February 2007. She also told me a whole bunch of other stuff which was so amazingly true that I had to take her seriously. And right now I might be in the process of believing that maybe people really can be genuinely good. I've met a lot of truly good people this last year or so. But then I'm in the street and I see people behaving in ways that take me back to my original way of thinking - people suck. And then I'll tell them to fuck off in my head, or give them the finger secretly behind the dashboard.
Of course things are not that simple. People behave in different ways in different contexts. People can be good and bad. It's a stupid Bible/Disney concept to think that people are either good or bad. As my old counsellor Jane would say, there's not just black and white; there's loads of shades of grey in between. It's more Miyazaki than Disney. Miyazaki's characters weren't essentially good nor bad, they were complex like real people.
Even though, people do suck. I suck. My heart has hardened. I didn't use to be this way. After seeing people casually stepping over passed-out hobos lying on the sidewalk in São Paulo, crying over it and a few weeks later realizing I had started doing it myself, my heart hardened. How am I supposed to behave in this social setting? Am I supposed to stop and help the goddamn hobo? My boyfriend used to say I was gullible and naive. I would believe anything people would tell me. Is there anything wrong with that? Aren't people supposed to tell the truth? So when a woman with a baby comes up to me asking for money, am I not supposed to believe her? Does she really need the help, or is she just trying to take advantage of me and my heartbreak?
These things have really started to get to me lately. Again. It is so unfair. It makes me feel guilty for whining so much about my middle-class problems, which makes me feel stupid for thinking so simplistically. I could ramble on and on about this but right now duty calls.
________________________________
PM update: my brother took me out to dinner, gave me the cheesiest 80's compilation cd ever and made me watch Amélie. I am one lucky motherfucker.
Poopy week is over, Nineta. It's fucking O-V-E-R.
Those are the very first words in Barefoot Gen, which I'm re-reading for the 3rd time. I think it synthesizes the spirit of the story pretty well. A perfect thesis statement in a manga cartoon. It tells the story of a boy named Gen Nakaoka and his family in Japan before, during and after the A-bomb. The man who wrote it, Keiji Nakazawa, actually went through a lot of this shit, and he put it all down on paper and had it published. I remember reading this and crying my eyes out. Not that I like reading and crying; I just think it is one of the best stories I've ever read. What I found most heart wrenching in it was the way people would turn against each other even though they were all in the same state of misery. And I still find it hard to believe that that is not perfectly natural human behavior.Once I was at this palm reader and she told me that although I did not believe it, there is actually some good in people, and I was bound to see that. That was in February 2007. She also told me a whole bunch of other stuff which was so amazingly true that I had to take her seriously. And right now I might be in the process of believing that maybe people really can be genuinely good. I've met a lot of truly good people this last year or so. But then I'm in the street and I see people behaving in ways that take me back to my original way of thinking - people suck. And then I'll tell them to fuck off in my head, or give them the finger secretly behind the dashboard.
Of course things are not that simple. People behave in different ways in different contexts. People can be good and bad. It's a stupid Bible/Disney concept to think that people are either good or bad. As my old counsellor Jane would say, there's not just black and white; there's loads of shades of grey in between. It's more Miyazaki than Disney. Miyazaki's characters weren't essentially good nor bad, they were complex like real people.
Even though, people do suck. I suck. My heart has hardened. I didn't use to be this way. After seeing people casually stepping over passed-out hobos lying on the sidewalk in São Paulo, crying over it and a few weeks later realizing I had started doing it myself, my heart hardened. How am I supposed to behave in this social setting? Am I supposed to stop and help the goddamn hobo? My boyfriend used to say I was gullible and naive. I would believe anything people would tell me. Is there anything wrong with that? Aren't people supposed to tell the truth? So when a woman with a baby comes up to me asking for money, am I not supposed to believe her? Does she really need the help, or is she just trying to take advantage of me and my heartbreak?
These things have really started to get to me lately. Again. It is so unfair. It makes me feel guilty for whining so much about my middle-class problems, which makes me feel stupid for thinking so simplistically. I could ramble on and on about this but right now duty calls.
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PM update: my brother took me out to dinner, gave me the cheesiest 80's compilation cd ever and made me watch Amélie. I am one lucky motherfucker.
Poopy week is over, Nineta. It's fucking O-V-E-R.
05 outubro 2008
Turmoil

O pai americano da minha amiga americana, em mesa de jantar americana em pequena cidade americana (com o nome de Cuba, Nova Iorque) defende uma segunda grande depressão. "Vai ensinar a esse monte de gordo consumista um monte de coisa de valor," diz ele.
Mas, contra sua vontade, aprovaram o bailout de 700 BIlhões de dállers. Que ele vai ajudar a pagar. Contra sua vontade.
Enquanto isso, eu aqui, no meu personal turmoil. Dei um jeito de arrumar mais coisa pra fazer do que dou conta. E ainda vem coisa de fora; é amiga que vai embora, é amigo que se casa, é aluno precisando de atenção especial. E eu aqui tentando fazer meus malabares. Gastei mais que podia. Dormi menos que precisava. Arranjei mais pra fazer.
E a Consuelo fugiu, e sumiu para sempre.
E eu tenho uma lista enorme de tarefas difíceis aqui na minha frente, e só consigo pensar em pornografia e dívidas.
Vou pedir pizza.
04 outubro 2008
Define it to divide about unacceptable dummy
I just came across this.
Learn English Free and Fast - Auxiliary Verbs
27 setembro 2008
Aparição
26 setembro 2008
¡¡¡Consuelo!!!
MiiinhAAAAAAAAAAAAAAAAAAAÁUU!Consuelo está chegando!!!! Eu sinto. Encostei o ouvido no chão e senti as vibrações.
Consuelo vem consolar a dor da solidão sofrida por Dexter, o primogênito, cuja irmã resolveu viver vida de madame em Nova Iorque e nunca mais voltar à terrinha. Dexter perdeu a cabeça desde que chegou aos trópicos. Sentindo-se solitário, tornou-se sociopata. O calor amoleceu os miolos. Após traumática experiência de ver seus pais se divorciarem, mudar de país 2 vezes em 2 meses, pegando carona, enquanto drogado, em 4 aviões, diversos táxis, uma kombi e uma moto de pet shop (isso deveria ser proibido), e de aventurar-se no submundo mais sujo da cidade de São Paulo respirando a mesma marola de crack de travecos e mendigos, o bichinho não agüentou. Pirou de vez. Agora, dois milênios depois, tem vida de dândi e age como tal; excêntrico. Politizou-se: faz questão de ser ouvido. Não só pelos tiranos ditadores da casa - no caso, meu namorado e eu - mas também pelos feudos vizinhos, cujos reis devem tê-lo como pária.
O Dexter realmente adora falar. MUITO ALTO. É um cara super vocal.
Pois Consuelo vem acalmar seus nervos. Eles falam a mesma língua. Por enquanto, Dexter é o único habitante neste reino que fala gatês, e imagino que isso deva trazer uma angústia muito grande, afinal de contas, comunicação é tudo em nosso mundo contemporâneo. Consuelo será intérprete providencial. Ela fala gatês, inglês, alemão e, claro, espanhol. E goianês, por suas raízes. Cá entre nós, ela vem de Anápolis, mas não espalhem. Ela prefere que digam que vem de Andaluzia. Une Chat Andalou.
07 setembro 2008
I Am Mine
Ah, tô revoltada. Tem uns cartazes pela cidade divulgando uma passeata pró-vida que vai rolar aqui em Brasília. A frase de efeito deles é "Se queremos a vida, porque legalizar a morte", ou algo do tipo. Aquela coisa bem apelativa pra atingir a sementinha plantada no subconsciente de todos pela doutrinação e superstição subliminares cristãs existentes nesta metade aqui do planeta. Aquela sementinha bem difícil de remover, não importando o quanto se tente.
Toda vez que eu vejo o diabo do cartaz eu me arrependo de ter esquecido o canetão em casa.
Me revolta o fato da sociedade apoiar que o estado deve ter controle sobre o que as mulheres fazem com o próprio corpo. O MEU corpo. EU mando, não aquela corja engravatada que nem sabe quem eu sou.
A maioria das pessoas no Brasil é contra o aborto. Será que elas se questionam sobre o por quê? Será que essa opinião foi concebida de forma autônoma, ou será que é tida como dogma? Ou será que o assunto tá tão longe da realidade da maioria das pessoas que elas nunca param pra pensar sobre as questões envolvidas? Dizem que o que os olhos não vêem o coração não sente. Pois no Brasil as mulheres nunca tiveram acesso à liberdade que é poder escolher continuar ou interromper uma gravidez indesejada. Então elas não sabem como seria ter tal acesso, e conformam-se com a presente situação. Isso é tão típico do universo humano. Conformismo. Aquela coisa não-tá-perfeito-assim-mas-tá-bom-então-deixa.
Existe um estigma da mulher que emprenha sem querer. Ela dá horrores, bêbada, sem camisinha e puft, se fodeu. Bem feito, quem mandou?
Quem mandou nascer com útero numa sociedade que julga usando como base moldes injustos e machistas? Uma sociedade onde se você for homem e virar as costas para uma gravidez de sua responsabilidade, você pode simplesmente continuar sua vida como se nada tivesse acontecido; se você for mulher e quiser fazer a mesma coisa você é julgada, estigmatizada, corre risco de vida e ainda pode ser presa.
O estado por acaso dá às mulheres condições de criar filho aqui neste país? Mesmo dentro da classe média é difícil. Finalmente, depois de muito bafafá desnecessário, passaram a lei da extensão da licença maternidade. Mas como nada é simples por aqui, peraí, não é bem assim. Tenho uma amiga amada cujo novo bichinho faz 1 mês nesta semana. Ela terá apenas 4 meses de licença porque é uma burocracia dos infernos conseguir o diabo da extensão. A cidade tem que implementar a lei primeiro, e pasmem, Brasília ainda não o fez. Se uma empresa muito legal estiver a fim de contemplar suas funcionárias com os dois meses a mais antes da implementação, terá que tirar do próprio bolso e aguardar futuro reembolso do governo. Depois de trezentos quilos de papelada e mais uns 300 anos, imagino.
Fora isso ainda trabalhamos demais por dinheiro de menos - especialmente por sermos mulheres. Ainda ganhamos menos, e muitas vezes somos as únicas provedoras. Tanto pai picareta que cai fora por aí. Aí somos obrigadas a matricular nossos filhos em sofríveis escolas públicas porque o mesmo governo que não nos dá o direito de viver dignamente e nem de escolher se queremos mesmo criar filho igualmente indignamente não supre a população com a coisa mais básica do universo, que é educação. E o bichinho ainda vai crescer (cheio de traumas gerados por criação vinda de mãe despreparada) e vai ser obrigado a se matar pra competir com mais um zilhão de candidatos pra entrar naquela bosta que é a UnB ou qualquer outra ainda pior. Isso falando da classe média. Não tenho cacife pra falar sobre a infelicidade que deve ser criar um filho em situação de pobreza. Não ouso nem tentar imaginar.
Aqui um mapa das legislações de aborto no mundo. Engraçado como em países desenvolvidos o aborto é legalizado sem restrições, e as legislações vão apertando até sumir à medida em que entramos nos países mais pobres. Será que existe alguma relação entre o bem-estar socioeconômico de uma população e controle de natalidade do mesmo?
Eu penso que no nosso país o problema é de ordem religiosa. O povo é contra porque teme a deus. Aborto é assassinato no imaginário popular; existe um conceito místico que defende que zigoto é gente.
Não ter direito a acesso a aborto seguro fode com a vida de milhares de mulheres. Os números são horripilantes: dêem uma olhada. É hipocrisia manter o aborto ilegal. As mulheres o fazem de qualquer jeito, estando dentro da lei ou não. O problema é que fazê-lo fora de lei implica risco de saúde e de vida à mulher. Contradição no sloganzinho "Se queremos a vida porque legalizar a morte". A morte e a dor já estão legalizadas, com apoio da comunidade e tudo mais.
Tá tendo agora em nosso país debate - e tomadas de decisão favoráveis, espero - sobre se mulher gestando bebê anencéfalo tem o direito de abortar. Ora, o bebê anencéfalo morre. Pode até viver poucos dias, se é que se pode chamar aquilo de viver, e logo morre. Não tem jeito. E a mulher que carrega um bichinho infeliz desses, hoje em nosso país, é obrigada a levar a gravidez até o fim, parir, e assistir o bichinho sofrer uns dias e morrer. Super humano.
Eu acabei de ver este trailer, do filme "O Aborto dos Outros", recém parido por uma tal de Carla Gallo:
Agradeço à Sra. Gallo pela coragem e iniciativa. Mal posso esperar pra ver o filme e o impacto do mesmo em nossa comunidade. Tomara que gere muito debate.
É ótimo que o assunto, há tempos dormente, esteja em pauta neste momento em nosso país. Mas vou ser bem sincera com vocês: duvido que desta vez o negócio mude. As pessoas ainda não digerem a questão de forma aberta, sem intervenções dos antigos tabus enraizados na nossa cultura. Se houvesse referendo hoje, não passa. Mas o assunto estar presente já é um começo. Quem sabe isso faça com que as pessoas pensem por si.
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Se um dia você precisar de ajuda, acesse:
http://www.womenonwaves.org/
http://www.womenonweb.org/
Toda vez que eu vejo o diabo do cartaz eu me arrependo de ter esquecido o canetão em casa.
Me revolta o fato da sociedade apoiar que o estado deve ter controle sobre o que as mulheres fazem com o próprio corpo. O MEU corpo. EU mando, não aquela corja engravatada que nem sabe quem eu sou.
A maioria das pessoas no Brasil é contra o aborto. Será que elas se questionam sobre o por quê? Será que essa opinião foi concebida de forma autônoma, ou será que é tida como dogma? Ou será que o assunto tá tão longe da realidade da maioria das pessoas que elas nunca param pra pensar sobre as questões envolvidas? Dizem que o que os olhos não vêem o coração não sente. Pois no Brasil as mulheres nunca tiveram acesso à liberdade que é poder escolher continuar ou interromper uma gravidez indesejada. Então elas não sabem como seria ter tal acesso, e conformam-se com a presente situação. Isso é tão típico do universo humano. Conformismo. Aquela coisa não-tá-perfeito-assim-mas-tá-bom-então-deixa.
Existe um estigma da mulher que emprenha sem querer. Ela dá horrores, bêbada, sem camisinha e puft, se fodeu. Bem feito, quem mandou?
Quem mandou nascer com útero numa sociedade que julga usando como base moldes injustos e machistas? Uma sociedade onde se você for homem e virar as costas para uma gravidez de sua responsabilidade, você pode simplesmente continuar sua vida como se nada tivesse acontecido; se você for mulher e quiser fazer a mesma coisa você é julgada, estigmatizada, corre risco de vida e ainda pode ser presa.
O estado por acaso dá às mulheres condições de criar filho aqui neste país? Mesmo dentro da classe média é difícil. Finalmente, depois de muito bafafá desnecessário, passaram a lei da extensão da licença maternidade. Mas como nada é simples por aqui, peraí, não é bem assim. Tenho uma amiga amada cujo novo bichinho faz 1 mês nesta semana. Ela terá apenas 4 meses de licença porque é uma burocracia dos infernos conseguir o diabo da extensão. A cidade tem que implementar a lei primeiro, e pasmem, Brasília ainda não o fez. Se uma empresa muito legal estiver a fim de contemplar suas funcionárias com os dois meses a mais antes da implementação, terá que tirar do próprio bolso e aguardar futuro reembolso do governo. Depois de trezentos quilos de papelada e mais uns 300 anos, imagino.
Fora isso ainda trabalhamos demais por dinheiro de menos - especialmente por sermos mulheres. Ainda ganhamos menos, e muitas vezes somos as únicas provedoras. Tanto pai picareta que cai fora por aí. Aí somos obrigadas a matricular nossos filhos em sofríveis escolas públicas porque o mesmo governo que não nos dá o direito de viver dignamente e nem de escolher se queremos mesmo criar filho igualmente indignamente não supre a população com a coisa mais básica do universo, que é educação. E o bichinho ainda vai crescer (cheio de traumas gerados por criação vinda de mãe despreparada) e vai ser obrigado a se matar pra competir com mais um zilhão de candidatos pra entrar naquela bosta que é a UnB ou qualquer outra ainda pior. Isso falando da classe média. Não tenho cacife pra falar sobre a infelicidade que deve ser criar um filho em situação de pobreza. Não ouso nem tentar imaginar.
Aqui um mapa das legislações de aborto no mundo. Engraçado como em países desenvolvidos o aborto é legalizado sem restrições, e as legislações vão apertando até sumir à medida em que entramos nos países mais pobres. Será que existe alguma relação entre o bem-estar socioeconômico de uma população e controle de natalidade do mesmo?
Eu penso que no nosso país o problema é de ordem religiosa. O povo é contra porque teme a deus. Aborto é assassinato no imaginário popular; existe um conceito místico que defende que zigoto é gente.
Não ter direito a acesso a aborto seguro fode com a vida de milhares de mulheres. Os números são horripilantes: dêem uma olhada. É hipocrisia manter o aborto ilegal. As mulheres o fazem de qualquer jeito, estando dentro da lei ou não. O problema é que fazê-lo fora de lei implica risco de saúde e de vida à mulher. Contradição no sloganzinho "Se queremos a vida porque legalizar a morte". A morte e a dor já estão legalizadas, com apoio da comunidade e tudo mais.
Tá tendo agora em nosso país debate - e tomadas de decisão favoráveis, espero - sobre se mulher gestando bebê anencéfalo tem o direito de abortar. Ora, o bebê anencéfalo morre. Pode até viver poucos dias, se é que se pode chamar aquilo de viver, e logo morre. Não tem jeito. E a mulher que carrega um bichinho infeliz desses, hoje em nosso país, é obrigada a levar a gravidez até o fim, parir, e assistir o bichinho sofrer uns dias e morrer. Super humano.
Eu acabei de ver este trailer, do filme "O Aborto dos Outros", recém parido por uma tal de Carla Gallo:
Agradeço à Sra. Gallo pela coragem e iniciativa. Mal posso esperar pra ver o filme e o impacto do mesmo em nossa comunidade. Tomara que gere muito debate.
É ótimo que o assunto, há tempos dormente, esteja em pauta neste momento em nosso país. Mas vou ser bem sincera com vocês: duvido que desta vez o negócio mude. As pessoas ainda não digerem a questão de forma aberta, sem intervenções dos antigos tabus enraizados na nossa cultura. Se houvesse referendo hoje, não passa. Mas o assunto estar presente já é um começo. Quem sabe isso faça com que as pessoas pensem por si.
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Se um dia você precisar de ajuda, acesse:
http://www.womenonwaves.org/
http://www.womenonweb.org/
24 agosto 2008
23 agosto 2008
Same old, same old.
Não, não tenho fotos novas. Não as tiro há séculos. Uma pena. Mas isso vai mudar. Juro.
Enquanto isso, vou colocando aqui antigas, que nem minhas são. Aliás, só duas; das avós. Tenho duas avós e elas são as melhores.
Uma vez fiz um livro. Era pra uma matéria muito bacana, chamada "Photo Books & Instalations". O livro é sobre a minha família. Selecionei as fotos, fiz o texto, desenhei o layout das páginas, as imprimi, colei e prensei as capas, e no fim costurei tudo junto.
Estes são alguns dos meus page spreads preferidos:









Toda família que se preza tem umas estórias cabeludas sobre as quais ninguém comenta, pra que elas caiam no esquecimento ou no desconhecimento das gerações mais recentes. Pouco antes de montar esse livro, tinha feito uma pesquisa pra montar minha árvore genealógica, e conversei bastante com minhas avós e tios. Tomei conhecimento de cada baixaria que cruz credo. Mas tenho certeza que ninguém levantaria uma sobrancelha. Todo mundo tem suas baixarias na família.
Foi como um mergulho na história da família. Fiquei submersa durante alguns meses. Me abalei bastante com algumas coisas, outras me deram vontade de rir. Foi uma experiência bem diferente. Com o tempo, fui perdendo o interesse, e as estórias foram se esgotando, mas acho importante saber delas; acho bacana ter estórias das gerações passadas pra contar pros meus sobrinhos. Se é que terei algum.
Sei lá porque atribuo esse valor à história da família. Deve ser nostalgia de taurino. Pra que serve saber das estórias? Não basta a árvore genealógica, cheia de nomes de pessoas distantes com quem nunca irei topar? De repente é isso mesmo. De repente as estórias trazem os distantes mais perto e dão a eles rosto. Tipo, essa é a tia-avó de quem falavam mal por ser mãe solteira; essa é a prima-avó que morreu de tanto apanhar do marido. E aí eu penso, porra, como eu tenho sorte, como a sociedade está mudando, como conquistamos liberdades antes nunca vistas por mulheres há pouco tempo atrás. E como a medicina avançou. Duvido que crianças ainda morram de "tosse comprida". Naquela época, os bichinhos morriam com qualquer coisa. Minha bisa teve 11 filhos, dos quais 4 morreram bebês ou ainda muito jovens. Dá pra imaginar uma coisa dessa?!
Às vezes dá vergonha, mas às vezes dá orgulhinho. Minha vó Tchá, por exemplo, aquariana que só, mudou-se pra São Paulo sozinha e tingiu o cabelo de loiro. Foi um escândalo na cidadezinha rural. A moça assanhada dos Fáifer (é, abrasileiraram o nome no cartório). Depois a mãe dela, alemã assustadora (vide foto acima, entre duas Cecílias) foi lá pra capital e a arrastou pelas orelhas de volta. O que é que a Tchá fez? Voltou pra São Paulo. hehehe.
No outro lado da família, temos Pagu, Patrícia Galvão, prima da minha Vó Santa. Comunista, feminista, descolada, antropofágica. Um arraso.
Bateu uma saudade. Acho que vou ligar pras vós.
Enquanto isso, vou colocando aqui antigas, que nem minhas são. Aliás, só duas; das avós. Tenho duas avós e elas são as melhores.
Uma vez fiz um livro. Era pra uma matéria muito bacana, chamada "Photo Books & Instalations". O livro é sobre a minha família. Selecionei as fotos, fiz o texto, desenhei o layout das páginas, as imprimi, colei e prensei as capas, e no fim costurei tudo junto.
Estes são alguns dos meus page spreads preferidos:









Toda família que se preza tem umas estórias cabeludas sobre as quais ninguém comenta, pra que elas caiam no esquecimento ou no desconhecimento das gerações mais recentes. Pouco antes de montar esse livro, tinha feito uma pesquisa pra montar minha árvore genealógica, e conversei bastante com minhas avós e tios. Tomei conhecimento de cada baixaria que cruz credo. Mas tenho certeza que ninguém levantaria uma sobrancelha. Todo mundo tem suas baixarias na família.
Foi como um mergulho na história da família. Fiquei submersa durante alguns meses. Me abalei bastante com algumas coisas, outras me deram vontade de rir. Foi uma experiência bem diferente. Com o tempo, fui perdendo o interesse, e as estórias foram se esgotando, mas acho importante saber delas; acho bacana ter estórias das gerações passadas pra contar pros meus sobrinhos. Se é que terei algum.
Sei lá porque atribuo esse valor à história da família. Deve ser nostalgia de taurino. Pra que serve saber das estórias? Não basta a árvore genealógica, cheia de nomes de pessoas distantes com quem nunca irei topar? De repente é isso mesmo. De repente as estórias trazem os distantes mais perto e dão a eles rosto. Tipo, essa é a tia-avó de quem falavam mal por ser mãe solteira; essa é a prima-avó que morreu de tanto apanhar do marido. E aí eu penso, porra, como eu tenho sorte, como a sociedade está mudando, como conquistamos liberdades antes nunca vistas por mulheres há pouco tempo atrás. E como a medicina avançou. Duvido que crianças ainda morram de "tosse comprida". Naquela época, os bichinhos morriam com qualquer coisa. Minha bisa teve 11 filhos, dos quais 4 morreram bebês ou ainda muito jovens. Dá pra imaginar uma coisa dessa?!
Às vezes dá vergonha, mas às vezes dá orgulhinho. Minha vó Tchá, por exemplo, aquariana que só, mudou-se pra São Paulo sozinha e tingiu o cabelo de loiro. Foi um escândalo na cidadezinha rural. A moça assanhada dos Fáifer (é, abrasileiraram o nome no cartório). Depois a mãe dela, alemã assustadora (vide foto acima, entre duas Cecílias) foi lá pra capital e a arrastou pelas orelhas de volta. O que é que a Tchá fez? Voltou pra São Paulo. hehehe.
No outro lado da família, temos Pagu, Patrícia Galvão, prima da minha Vó Santa. Comunista, feminista, descolada, antropofágica. Um arraso.
Bateu uma saudade. Acho que vou ligar pras vós.
22 agosto 2008
"Do women have to be naked to get into the Met. Museum?"
Guerrilla Girls, 1989
Pense em todos os artistas que você conhece ou já ouviu falar. Peraí, calma! Alexandre Frota não é artista. Nem Carla Perez. Tô falando de artista de arte, como em pintura, desenho, escultura, gravura...
Pensa aí.
Pensou? Agora responda: quantos nomes de mulher vieram à sua mente?
Pois é, sacanagem. O mundo das artes é dominado pelos homens. E quando a gente pensa em artista mulher, sempre pensamos nas modernas ou contemporâneas: a Yoko, as Lígias do Brasil, a doida da Tracy Emin, a Tarsila, a Frida Foda, Georgia O'Keeffe. Ninguém se lembra das velhas de guerra. Quando a gente pensa na arte da idade média e na da renascença, todo mundo lembra do Michelangelo, do Donatelo, do Rafael, do Leonardo... todos os tartarugas ninjas. Sáporquê? Porque a gente nem nunca ouve falar nas mulheres. Ninguém nos ensina, ninguém nos mostra. Abra um livro de história da arte. Quantas mulheres? Heinnn?? Humpf. Só no canvas.
Vão pesquisar. Eu tô. Preciso aprender mais! A Mary Cassatt é a pintora mais antiga que conheço, e era impressionista - não faz tanto tempo assim. E pior que tinha um monte de mulher que em vez de estar lá depenando galinha no estrume do feudo, tava pintando. Ou fazendo escultura. Ou gravura. E não tem nenhum nome que venha à cabeça. Em 4 anos de artes plásticas e belas artes, não aprendi nenhum.
Era justamente essa a causa das notórias Guerrilla Girls. Elas vestiam máscaras de gorila e faziam pôsteres incríveis nos anos 80 como intervenção/protesto contra a ausência de figuras femininas no mundo acadêmico das artes e na galeria. Depois de um tempo, suas manifestações foram adotadas pelas grandes galerias como arte, e aí rolou um paradoxo: como elas poderiam continuar suas intervenções contra uma coisa que elas mesmas derrubaram? Acabou. A instituição matou a arte no ato do resgate. Houve um grande conflito interno entre as GGs. Algumas pensaram, ótimo, conseguimos. Outras pensaram, não vou me vender a esses demagogos. Umas novas ressucitaram o grupo, mas as originais debandaram.
Pelo menos o mundo da fotografia foi mais justo. Desde os primórdios de sua existência - que convenhamos, não faz tanto tempo assim, a fotografia foi inventada em 1827 - sempre houve reconhecimento do trabalho das fodonas. Inclusive os cianótipos da Anna Atkins foram fundamentais no desenvolvimento da invenção.

Julia Margaret Cameron, Gertrude Kasebier, e Myra Albert Wiggins são todas pré-século 20. A velhinha da foto ao lado (por Judy Dater, 1974) é a Imogen Cunningham, fodona do pictorialismo (final do século 19 até 1914). Essa é uma das minhas imagens preferidas de todos os tempos. Outras mulheres que arrasaram (ou ainda arrasam) na fotografia são: Berenice Abbott, com suas fotos arquitetônicas de NY; Margaret Bourke-White, capa da Life no. 1, levou uma vida digna de heroína de HQ; Dorothea Lange, tirou a icônica foto da migrante com seus filhos e fez um trabalho incrível com a FSA; Helen Levitt, fez trabalhos beirando o surrealismo com crianças assustadoras; Cindy Sherman, Lauren Greenfield, Annie Leibovitz, Diane Arbus, Tina Modotti, e outras, e ainda outras menos famosas. Muitas outras. Tem muita fotógrafa foda por aí.
As mulheres artistas merecem reconhecimento. Seria bacana resgatar o trabalho e valor das artistas que viveram em uma época infeliz pra elas. Hoje ainda não tá ideal - no mundo do cinema, por exemplo, ainda tem homem demais pra mulher de menos na cadeira do diretor - mas tá quase. Quase.
Pense em todos os artistas que você conhece ou já ouviu falar. Peraí, calma! Alexandre Frota não é artista. Nem Carla Perez. Tô falando de artista de arte, como em pintura, desenho, escultura, gravura...
Pensa aí.
Pensou? Agora responda: quantos nomes de mulher vieram à sua mente?
Pois é, sacanagem. O mundo das artes é dominado pelos homens. E quando a gente pensa em artista mulher, sempre pensamos nas modernas ou contemporâneas: a Yoko, as Lígias do Brasil, a doida da Tracy Emin, a Tarsila, a Frida Foda, Georgia O'Keeffe. Ninguém se lembra das velhas de guerra. Quando a gente pensa na arte da idade média e na da renascença, todo mundo lembra do Michelangelo, do Donatelo, do Rafael, do Leonardo... todos os tartarugas ninjas. Sáporquê? Porque a gente nem nunca ouve falar nas mulheres. Ninguém nos ensina, ninguém nos mostra. Abra um livro de história da arte. Quantas mulheres? Heinnn?? Humpf. Só no canvas.
Vão pesquisar. Eu tô. Preciso aprender mais! A Mary Cassatt é a pintora mais antiga que conheço, e era impressionista - não faz tanto tempo assim. E pior que tinha um monte de mulher que em vez de estar lá depenando galinha no estrume do feudo, tava pintando. Ou fazendo escultura. Ou gravura. E não tem nenhum nome que venha à cabeça. Em 4 anos de artes plásticas e belas artes, não aprendi nenhum.
Era justamente essa a causa das notórias Guerrilla Girls. Elas vestiam máscaras de gorila e faziam pôsteres incríveis nos anos 80 como intervenção/protesto contra a ausência de figuras femininas no mundo acadêmico das artes e na galeria. Depois de um tempo, suas manifestações foram adotadas pelas grandes galerias como arte, e aí rolou um paradoxo: como elas poderiam continuar suas intervenções contra uma coisa que elas mesmas derrubaram? Acabou. A instituição matou a arte no ato do resgate. Houve um grande conflito interno entre as GGs. Algumas pensaram, ótimo, conseguimos. Outras pensaram, não vou me vender a esses demagogos. Umas novas ressucitaram o grupo, mas as originais debandaram.
Pelo menos o mundo da fotografia foi mais justo. Desde os primórdios de sua existência - que convenhamos, não faz tanto tempo assim, a fotografia foi inventada em 1827 - sempre houve reconhecimento do trabalho das fodonas. Inclusive os cianótipos da Anna Atkins foram fundamentais no desenvolvimento da invenção.

Julia Margaret Cameron, Gertrude Kasebier, e Myra Albert Wiggins são todas pré-século 20. A velhinha da foto ao lado (por Judy Dater, 1974) é a Imogen Cunningham, fodona do pictorialismo (final do século 19 até 1914). Essa é uma das minhas imagens preferidas de todos os tempos. Outras mulheres que arrasaram (ou ainda arrasam) na fotografia são: Berenice Abbott, com suas fotos arquitetônicas de NY; Margaret Bourke-White, capa da Life no. 1, levou uma vida digna de heroína de HQ; Dorothea Lange, tirou a icônica foto da migrante com seus filhos e fez um trabalho incrível com a FSA; Helen Levitt, fez trabalhos beirando o surrealismo com crianças assustadoras; Cindy Sherman, Lauren Greenfield, Annie Leibovitz, Diane Arbus, Tina Modotti, e outras, e ainda outras menos famosas. Muitas outras. Tem muita fotógrafa foda por aí.
As mulheres artistas merecem reconhecimento. Seria bacana resgatar o trabalho e valor das artistas que viveram em uma época infeliz pra elas. Hoje ainda não tá ideal - no mundo do cinema, por exemplo, ainda tem homem demais pra mulher de menos na cadeira do diretor - mas tá quase. Quase.
06 agosto 2008
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26 julho 2008
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